Contabilidade enganosa Abeam

TAICUPAM e trabalhadores reagem ao arrocho

 

Continua tenso o ambiente nas relações de trabalho entre os sindicatos marítimos e a Abeam – Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo. As categorias aquaviárias decidiram em assembleia [foto] autorizar as entidades sindicais a suspender as negociações.

Reação imediata do trabalhador

A indignação tem inúmeras causas, em especial a proposta do patrão para reduzir os salários em 30%.

– Protestamos prontamente diante do patronato na reunião de março quando tivemos no Syndarma a única reunião para tratar do ACT – observa o presidente do TAICUPAM, Ossian Quadros [foto].

Conquistas evaporadas

O corte é palpável. Das 45 páginas integrantes do ACT que esteve em vigência até o início da reforma trabalhista, em 11/11/2017, restaram 15 folhas. Entre as vantagens laborais conquistadas em décadas, foram apagadas diversas como gratificação por manuseio de âncora, ajuda de custo em viagem ao exterior e uniforme, entre outras.

A oferta feita em março pelaAbeam, que acabou sendo chamada de “proposta indecente”,provocou uma revolta tão grande que estimulou a realização de duas assembleias. Nas duas, realizadas na sede da Federação Nacional dos Aquaviários, no Rio de Janeiro-RJ, os trabalhadores deram poderes aos respectivos sindicatos para endurecer com os patrões.

Contabilidade enganosa

As assembleias também serviram para que as entidades sindicais descontruíssem as alegações de crise usadas pelos armadores.Em projeções apresentadas aos marítimos, estiveram em evidência notícias colhidas na grande mídia mostrando que o empregador vai muito bem.

Do jornal Valor Econômico, foram pinçadas notícias de que a produção do petróleo deve crescer 38% até 2022 e que a previsão é de que a produção aumente em 2018 cerca de 1,45% em relação à meta de 2017. Mais: a projeção para o preço médio do barril é de que ele suba de US$ 53 em 2018 para US$ 73 em 2022.

Já a Folha de S. Paulo informou que a produção petróleo bateu recorde em 2017, enquanto a revista Portos e Navios noticiou que a cabotagem vem crescendo acima de 10% ao ano na última década e que, em 2017, o volume de contêineres transportados cresceu 12% sobre 2016.

Contratos milionários

Como se não bastasse, informações colhidas nos bastidores mostram que os armadores seguem faturando alto nas negociações de contratos entre empresas. Uma embarcação PSV 3000 AB, por exemplo, que em 2000 era contratada por cerca de US$ 9 mil por dia, em 2016 teve esse valor praticado a US$ 22 mil.

Em 10 anos de bonança, as empresas se negaram a distribuir parte dos lucros espantosos, com omissões observadas nas mesas-redondas em que negociamos os Acordos Coletivos de Trabalho. Agora aproveitam-se de uma reforma trabalhista absolutamente injusta para elevar novamente seus ganhos à custa do trabalho e do patrimônio público que são as jazidas do pré-sal.

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